Em direção a uma ontologia dinâmica
A questão animal como fratura do limite e prova do ser
DOI:
https://doi.org/10.33975/disuq.vol15n2.1509Palavras-chave:
questão animal, desconstrução, fenomenologia, ontologia dinâmica, justiça multiespécieResumo
Este artigo responde à pergunta sobre como a fronteira entre o humano e o animal opera — para além da classificação biológica — como uma distribuição ontológica que determina quais formas de vida reconhecem o mundo e possuem capacidade de resposta, bem como quais mortes são consideradas passíveis de luto. Para examinar esse funcionamento, propõe-se a noção de ontologia dinâmica, entendida não como um sistema total do ser, mas como uma análise dos processos históricos, gramaticais e sensíveis pelos quais tal fronteira se estabiliza, transforma certas diferenças em hierarquias, gera efeitos ontológicos e políticos e pode se deslocar. Os sinais animais convertem-se em uma prova ontológica: mais do que afirmar uma semelhança entre humanos e animais, eles nos obrigam a questionar que concepção de ser permite causar dano a certos corpos sem reconhecer que o próprio mundo foi afetado. Nessa perspectiva, o texto reconstrói quatro espaços. Em primeiro lugar, a partir de Derrida, examina como o termo singular "animal" e a oposição entre resposta e reação consolidam o privilégio metafísico do "propriamente humano". Em segundo lugar, com Merleau-Ponty, mostra que o mundo não pode ser reduzido a uma representação soberana, mas se articula como orientação carnal, hábito e reversibilidade sensível. Em terceiro lugar, o olhar do gato em Derrida e a experiência de predação narrada por Plumwood evidenciam a vulnerabilidade do sujeito humano. Por fim, a simpoiese permite pensar em uma justiça multiespécie baseada na copertencimento material e não na excepcionalidade humana.Referências
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